
Durante muitos anos repetimos que “a cultura come a estratégia no café da manhã”.
A frase ajudou a chamar atenção para algo importante: nenhuma estratégia sobrevive por muito tempo quando os comportamentos cotidianos da organização caminham em outra direção.
Continuo acreditando profundamente nessa relação. Mas o contexto mudou e nossa conversa também precisa evoluir.
Hoje, cultura e estratégia precisam ser compreendidas dentro de um sistema maior.
O mundo está mudando mais rápido
Tecnologia, inteligência artificial, geopolítica, novos competidores, mudanças no comportamento dos consumidores e novas gerações chegando às organizações estão alterando o ambiente em uma velocidade difícil de ignorar.
Isso significa que organizações já não podem depender de estratégias excessivamente rígidas. Propósito, visão, valores e princípios culturais oferecem direção. A estratégia precisa aprender continuamente com aquilo que acontece no ambiente e ser capaz de se adaptar.
É exatamente aí que a cultura ganha ainda mais relevância.
Estratégias adaptáveis precisam de culturas resilientes
Uma organização pode perceber rapidamente uma mudança no mercado e decidir responder a ela. A pergunta seguinte é: sua cultura permite essa resposta?
Vale observar três pontos:
- As pessoas conseguem colaborar e experimentar diante de novos desafios?
- Existe segurança para questionar decisões e práticas que funcionaram no passado?
- Os erros geram aprendizagem ou aumentam a resistência à mudança?
É nesse sentido que tenho usado uma formulação diferente:
Cultura nutre estratégia no café da manhã.
Uma cultura saudável cria condições para que a estratégia se desenvolva, se adapte e consiga chegar ao cotidiano da organização.
A liderança transforma cultura em prática
Cultura aparece diariamente naquilo que líderes reconhecem, toleram, estimulam e, principalmente, praticam. É pelo comportamento cotidiano da liderança que valores e princípios deixam os documentos institucionais e passam a orientar a experiência real das pessoas.
Quando a estratégia muda, portanto, precisamos observar se as práticas de liderança continuam coerentes com a cultura que a organização precisa construir. Algumas delas podem ter funcionado bem em outro contexto e precisar agora de atualização.
O exemplo da liderança tem um papel central nesse processo. É difícil construir colaboração com líderes que trabalham de forma isolada, estimular adaptabilidade quando a liderança resiste a rever decisões ou fortalecer confiança quando os comportamentos cotidianos apontam em outra direção. A cultura aprende continuamente com aquilo que vê seus líderes fazendo.
Jornadas de aprendizagem passam a ser estratégicas
Existe ainda um elemento que precisa entrar definitivamente nessa equação: as jornadas de aprendizagem.
Se o contexto está mudando, a estratégia precisa se adaptar, a cultura precisa responder e as práticas de liderança precisam acompanhar esse movimento, o desenvolvimento também precisa ser pensado a partir dessa realidade. Desenvolver liderança de forma genérica perde potência quando não existe uma relação clara entre aquilo que se desenvolve e aquilo que a organização precisa realizar.
As jornadas de aprendizagem passam, portanto, a ter uma função estratégica: desenvolver as capacidades que a liderança precisa para fortalecer a cultura e executar a estratégia diante do contexto real daquela organização.
A lógica que tenho utilizado é esta:
Mundo em transformação → estratégia adaptável → cultura resiliente → práticas de liderança consciente → jornadas de aprendizagem intencionais.
Cada elemento influencia os demais.
RH e liderança precisam ter uma nova conversa estratégica
Vale olhar para esse sistema e perguntar:
- Nossa estratégia está conseguindo acompanhar as mudanças do ambiente?
- A cultura atual ajuda essa estratégia a acontecer?
- As práticas das nossas lideranças reforçam a cultura de que precisamos?
- Nossas jornadas de desenvolvimento estão formando as capacidades necessárias para os próximos anos ou repetindo conteúdos que fizeram sentido em outro contexto?
Tenho levado essas perguntas para conversas com times executivos e profissionais de RH porque desenvolvimento de liderança ganha muito mais potência quando está conectado à estratégia, à cultura e ao momento real da organização.
O que suas lideranças precisam desenvolver para sustentar a estratégia em 2027?
Temos uma novidade para apoiar organizações na construção de jornadas de desenvolvimento de lideranças conectadas à estratégia, à cultura e aos desafios do negócio.
Quer conhecer essa novidade e conversar sobre as prioridades da sua organização para 2027? Entre em contato com nossa equipe.
Feito por: Daniel Spinelli


