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A Meditação na Liderança – Entrevista

Para explicar melhor sobre as práticas que podem ajudar a aperfeiçoar a maneira como você lidera, convidamos o co-fundador da maisPS, Daniel Spinelli,  estudioso, professor de Inteligência Emocional e Mindfulness. Facilitador de aprendizagem e palestrante, fizemos uma entrevista em que ele relata a sua transformação a partir do momento que teve contato com a meditação e como essa descoberta impactou sua perspectiva para lidar com os desafios diários. 

 

  1. Daniel, para começar, você poderia compartilhar com a gente o que você, como empresário, palestrante e professor, o que fez nesses anos para aperfeiçoar a sua maneira de liderar? 

Acredito que esse aperfeiçoamento é uma busca diária, são muitas as oportunidades de se desenvolver como líder. Para mim, o autoconhecimento foi o caminho mais importante. Várias outras habilidades e hábitos surgem quando olhamos para dentro de nós mesmos. 

 

  1. E a meditação, como ela surge nesse contexto?

Há pouco mais de dez anos tive a oportunidade de implementar a meditação como um hábito diário. Isso começou como uma busca mais pessoal através de práticas de curta duração, cerca de 2 a 5 minutos por dia, depois fui percebendo os desafios dessa prática e fui intensificando, estudando mais a respeito, participei de retiros e aumentei o tempo e a frequência de prática.  

 

  1. Você poderia citar os principais benefícios que a meditação trouxe às suas relações profissionais e pessoais? 

Os principais benefícios que percebemos com a prática de meditação são internos, começamos a organizar melhor nossos pensamentos, mudar a nossa visão sobre a realidade que nos cerca e gerenciar melhor nossas emoções. Com isso, passamos a ser mais empáticos e ponderados com as pessoas, então começamos também a gerir melhor nossos relacionamentos. Respondemos às situações, inclusive de conflito e stress, com mais consciência. 

No caso de um líder, há algumas qualidades que são atribuídas a uma boa  liderança, as quais passam a ser mais naturais quando estamos trabalhando nossa atenção e a nossa qualidade de presença. 

 

  1. Como foi a sua experiência de implementar as práticas de mindfulness na sua empresa?

Essa é uma prática que eu recomendo a todas as empresas. No nosso caso, como eu ensino meditação e mindfulness, foi mais fácil, eu mesmo repassei para o pessoal que queria. Mas qualquer empresa pode disponibilizar ao seu pessoal essa prática. Já tive a oportunidade de introduzir várias equipes de empresas, inclusive de líderes, às práticas de mindfulness através de cursos e treinamentos. Os resultados foram incríveis e os feedbacks foram sempre muito positivos.  

 

  1. Como praticar e se dedicar no dia-a-dia, quando muitas outras atividades consomem todo o seu tempo? Você pode trazer exemplos e dicas?

Essa normalmente é a razão pela qual as pessoas adiam a implementação de novos hábitos de uma forma geral. Por exemplo, quando mesmo sabendo que fazer atividades físicas diariamente previne muitas doenças e traz bem-estar, nós lotamos a nossa agenda antes de definir claramente o horário em que nos exercitaremos naquele dia. Da mesma forma acontece com os novos hábitos relacionados aos cuidados com a mente, como, por exemplo, a prática de meditação de mindfulness. Se formos capazes de lembrar só alguns dos benefícios que essa prática gera, teremos mais chance de dar a devida prioridade e arrumar o tempo  necessário para tal. Dá para comparar com quando não temos tempo para trocar o óleo do carro: uma hora esse carro pode perder potência e dar defeito no motor;  no final, teria sido um investimento inteligente de tempo ter dedicado um par de horas para trocar o óleo. 

Quando levamos essa analogia para a liderança, vemos grandes profissionais de diversas áreas investindo um tempo diário para cuidar da sua mente e da sua capacidade de gerir melhor as emoções, isso faz com que essas pessoas se tornem muito mais assertivas, cultivem melhores relacionamentos e tomem melhores decisões.   

 

Veja aqui a primeira parte deste artigo –  A meditação na  liderança

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Autoconhecimento Gestão de Stress

Detox Digital

Detox Digital

Será possível?

Em meio à correria do dia-a-dia para resolver nossos problemas profissionais, os problemas da família, e ainda lidar com um cenário instável em que as interações digitais nos conectam aos outros, como equilibrar a tecnologia em nossa vida? Como separar os assuntos profissionais dos pessoais, sendo que muitas vezes utilizamos o mesmo aplicativo para ambos os assuntos?
Os estímulos durante um dia todo são inúmeros e cada vez mais as informações que recebemos impactam muito na nossa maneira de ver e viver o mundo à nossa volta.
Quantas vezes você lembrou de fazer alguma coisa no celular e, após alguns minutos verificando as atualizações e notificações, simplesmente esqueceu o que iria fazer?
Nós já estamos fazendo isso de maneira automática, como se estivéssemos programados a responder aos estímulos das redes sociais e grupos de aplicativos toda vez que há atualizações.
A você/SA publicou, em agosto de 2020, alguns sinais de atenção para que possamos identificar se há oportunidades de melhoria para nos relacionarmos de maneira mais saudável com a internet e com as redes sociais.

  • É impossível dormir com o celular longe do campo de visão, pois você precisa responder às mensagens mesmo se estiver dormindo.
  • Sente-se frustrado quando percebe que a bateria do celular está acabando e pode ser que ele tenha que ficar desligado por um período.
  • Prefere as interações digitais ao contato humano presencial.
  • Procura por novas informações e atualizações em qualquer oportunidade possível do dia.
  • Fica ansioso quando ouve que há uma nova notificação, mas não pode verificar o aparelho no mesmo momento.

 

Você se identifica com algum dos sinais que vimos acima?

A quantidade de horas que passamos em torno de um equipamento, seja ele móvel ou não, ultrapassa 8 horas diárias!
O Instituto Delete, que desde 2008 pesquisa o impacto das tecnologias do comportamento humano, defende o uso consciente das tecnologias e cita:
 “ A dependência digital não está diretamente relacionada ao tempo de conexão de uma pessoa aos seus dispositivos eletrônicos; mas sim ao nível de perda de controle na vida real, trazendo prejuízos nos campos profissional, familiar, afetiva ou social!”. 
Você sente que pode melhorar a sua qualidade de presença com as pessoas do seu convívio deixando um pouco de lado a tecnologia?
Trouxemos algumas ideias que podem ajudar a fazer um detox digital quando sentir que precisa “dar um tempo”:

  • Inicie o seu dia com uma  meditação e coloque seu celular no silencioso. Você tem uma oportunidade de iniciar o seu dia mais consciente e a fluidez dos pensamentos vão gerar estímulos internos que vão ocupar sua mente de maneira produtiva.
  • Evite mexer no celular algumas horas antes de dormir. Substituir a interação nas redes pela leitura de um livro pode acalmar a sua mente.
  • Pratique uma atividade física ou um hobbie que te faça relaxar, como fazer sua sobremesa predileta, assistir a um filme ou estudar um tema pelo qual você se interessa, com o celular desligado ou no modo avião. Focar no momento presente pode domar a sua ansiedade por atualizações.
  • Quando sentir que os pensamentos estão muito acelerados, coração batendo mais forte e falta de ar, é um sinal de que você está ansioso e precisar de um tempo de novos estímulos. Além de silenciar o celular, tente Parar, Respirar, Perceber, Ponderar para depois Responder a qualquer estímulo. PRPPR é uma ferramenta de gestão das emoções que pode te ajudar nos momentos desafiadores.
  • Experiencie um período sem celular ou com as notificações no silencioso para contemplar a natureza ou simplesmente não fazer nada.

Você acha que consegue implementar pelo menos uma das dicas acima?
Compartilhe  nos comentários a sua experiência e o que funcionou para você.
Precisa de mais dicas para desconectar? Implemente práticas diárias para manter o foco e concentração nas suas atividades. Conheça a Jornada da Inteligência Emocional,  5 módulos, totalizando 12 horas de conteúdo exclusivo 100% digital. Clique aqui e veja como

 

Fonte: https://vocesa.abril.com.br/carreira/9-dicas-para-se-desintoxicar-do-mundo-digital-e-aproveitar-o-dia/

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Liderança Mindfulness

A meditação na liderança

O desenvolvimento da capacidade de gerir melhor as emoções, para quem ocupa cargos de liderança, torna-se cada vez mais fundamental.

As competências técnicas e a visão dos processos nunca deixarão de ser importantes, ainda que, em alguns casos, possam cair de nível de prioridade. O que é indiscutível é que um líder precisa se destacar pela capacidade de gerenciar os relacionamentos e ter equilíbrio emocional e maleabilidade para conduzir equipes por situações de mudanças drásticas e pressão. 

A questão é que não  temos, necessariamente, coragem de expor nossos sentimentos e emoções, principalmente quando envolve a vida profissional. Por quê? Muitos de nós fomos inseridos em um mundo onde mostrar vulnerabilidade para os outros é sinal de fraqueza e de derrota. Muitas vezes, acabamos “engolindo sapos” e não nos posicionando, para que não haja julgamentos ou qualquer comentário sobre o nosso comportamento. Outras vezes, explodimos com uma reação exacerbada porque uma determinada situação nos engatilhou. 

Importante ressaltar que gerenciar as emoções não significa deixar de sentir, mas passar a se perceber, monitorar, e assim ter maior consciência sobre como estamos nos sentindo e o impacto do nosso comportamento nas pessoas ao nosso redor. O desenvolvimento da capacidade da autogestão torna possível, primeiramente, construir uma relação saudável consigo mesmo, e consequentemente,  relações mais harmônicas com quem está ao nosso redor. 

 

“As emoções não ajustam apenas a nossa saúde mental, mas também nossos estados corporais. Desta forma, nos preparam para reagir rapidamente frente aos perigos, mas também diante de qualquer oportunidade que o ambiente nos ofereça, como uma interação social prazerosa”, disse Lauri Nummenmaa, professor de neurociência e líder de uma equipe de cientistas.

Cada vez mais, o líder que se preocupa com o desenvolvimento das suas habilidades socioemocionais se diferencia em sua atuação, proporcionando a todos a sua volta um ambiente mais compassivo, mais positivo e de mais confiança. A consciência das emoções leva um líder a evitar pré-julgamentos e a gerenciar os conflitos de um time para um nível saudável e produtivo. Sim, estamos dizendo aqui que um líder que gerencia melhor suas emoções conduz um time a melhores resultados e ajuda a criar um ambiente desejável de se trabalhar e, com isso, mais perene e evolutivo. 

Então, se você lidera pessoas, já deve estar se perguntando: como faço para desenvolver essa importante habilidade? E aqui introduzimos nossa sugestão com base em dois fatores:

1 – Experiência própria 

2 – Estudos científicos

 

Já sabe do que estamos falando? Nossa recomendação é: Meditação.  Se não pratica ainda, sugerimos que comece hoje. Sim, o livro “Ciência da meditação”, dos autores Daniel Goleman e Richard Davidson, é apenas uma das fontes nas quais você pode coletar diversas comprovações científicas de que a meditação nos ajuda a treinar a nossa mente para ter mais capacidade de presença, perceber e gerenciar nossas emoções. Bom, há muitos outros benefícios da meditação que não vamos explorar aqui agora para não nos delongarmos, mas, se você quer liderar melhor e desenvolver suas habilidades socioemocionais, realmente deveria dar mais atenção a isso.

Caso você já não tenha um caminho para aprender e praticar meditação, sugiro que você nos acompanhe no canal do instagram: @daniel.spinelli, onde temos postado uma série de meditações guiadas e dicas.

Se você é de uma organização e quer levar um programa de introdução à meditação para sua equipe, uma olhada nesse programa que lançamos recentemente. Mindfulness para Empresas

Novos hábitos nos levarão a novos resultados.

Equipe MaisPS 

 

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Autoconhecimento Gestão de Stress Liderança

Ansiedade: aliada ou vilã no papel da liderança?

Nunca se ouviu falar tanto em ansiedade e estresse.

O cenário atual de incertezas e instabilidade está aflorando sentimentos como o medo, a raiva e principalmente a ansiedade, aumentando, para muitas pessoas, o sofrimento emocional dentro e fora das empresas.

A chegada inesperada e avassaladora da pandemia evidenciou como o trabalho e a dedicação de anos para construir seu negócio pode, da noite para o dia, tornar-se frágil e incerto.

Diante disso, líderes se veem numa situação desafiadora, uma linha tênue entre ansiedade e medo e a sensação de responsabilidade e/ou obrigação de mostrar aos seus liderados calma, controle e otimismo diante da crise. 

E aí vem o questionamento: como liderar inspirando pessoas a darem o seu melhor e acreditarem que tudo ficará bem, quando sua mente e coração estão aterrorizados,  o medo e a ansiedade a todo vapor?

Mas, afinal, o que é ansiedade?

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM V, ansiedade é um “distúrbio que se caracteriza pela preocupação excessiva ou expectativa apreensiva.”

Porém, estudos apontam que a ansiedade, se dosada e bem gerenciada, pode nos proteger.

Em 1977, o psicólogo Rollo May escreveu: “Já não somos vítimas de tigres e mastodontes, mas da baixa autoestima, do ostracismo do grupo ou da ameaça de perder a luta competitiva. A forma da ansiedade mudou, mas a experiência permanece mais ou menos a mesma”.

Ou seja, as ameaças mudaram, mas a sensação de perigo de onde deriva o medo continua, e a ansiedade, quando bem administrada e consciente, pode ser o sinal de alerta que nos impulsiona para a ação.

Levando para o lado corporativo, essa ansiedade que ocorre diante de situações de crise pode ser favorável tanto para líderes quanto para colaboradores na criação de soluções, no engajamento e na produtividade, descobrindo respostas para problemas existentes ou soluções para prevenção de problemas futuros. 

Mas atenção! Ansiedade sem controle e em alto nível pode se tornar patológica, causando altos níveis de estresse e sintomas que podem fazer mal física e psicologicamente, como  insônia, falta de atenção, tensão muscular, perda de apetite etc.

Então, o que fazer diante desse sentimento?

  • A primeira coisa é perceber, tentar identificar o sentimento, suas reações e, de forma consciente, canalizar e administrar o que está sentindo.

Trazendo para o papel da liderança, um erro comum que ocorre é, ao perceber a ansiedade, tentar ignorar seus sintomas ou reprimi-los. Por isso, o ideal seria que,  identificando o que se sente, percebesse quais são as reações e aceitasse de forma autocompassiva.

  • A segunda etapa é nomear o que está sentindo. 

Após identificar, aceite e rotule. O fato de não tentar negar e sim trazer de forma clara e consciente te ajudará a administrar e manejar as reações. 

  • A terceira etapa é descobrir em que momento a ansiedade aparece e o porq.

Tente identificar quais são os gatilhos que desencadeiam a ansiedade e como é a sua reação diante deles. 

  • A quarta etapa é distinguir o nível da sua ansiedade. Com base na análise que realizou dos gatilhos e consequências, poderá avaliar se o nível de ansiedade pode estar te causando problemas ou se mantém de forma racional, como um estado de alerta.

Pode até soar como modismo ou mesmo utopia, mas, através de dados científicos, podemos afirmar que a chave para o enfrentamento e bemestar das pessoas está no desenvolvimento da Inteligência Emocional!

E, como todos os temas que entram em pauta e se tornam tendência, há um risco de se cair na superficialidade, acabando por diluir um tema denso, que precisa ser tratado com profundidade.

Quer saber como desenvolver e colocar em prática as habilidades-chaves da Inteligência Emocional, de forma acessível e 100% online? Clique aqui

 

Fonte: https://hbrbr.com.br/como-liderar-em-um-mundo-repleto-de-ansiedade/

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Como expandir a empatia na minha organização?

Acredito que você já deve ter ouvido e até pensado que o mundo precisa de mais empatia. Dentro das organizações, essa habilidade é cada vez mais requisitada, mas nem sempre encontrada.

Um estudo realizado pela Gallup revela que 80% dos funcionários não considera suas empresas empáticas e 60% aceitaria receber um salário inferior se o empregador demonstrasse empatia.

Você já pensou que esse pode ser o caso da sua empresa?

Precisamos reconhecer a empatia como uma força de mudança. As organizações, ao desenvolverem a empatia em seus colaboradores, promovem um melhor alinhamento entre equipes, já que se sentem compreendidos, impactando na produtividade e nos resultados.

A especialista e pesquisadora, Tania Singuer, afirma que a empatia significa a capacidade de compartilhar os sentimentos dos outros, sejam positivos ou negativos.  Por exemplo, sentir-se feliz ao ver alguém feliz ou até mesmo  compartilhar a experiência de sofrimento quando sentimos empatia por alguém que sofre. 

A empatia pode fazer as relações entre as áreas mais leve e colaborativa, justamente por saberem colocar-se um no lugar do outro. Quer ajudar a construir pontes dentro da sua empresa? Fique ligado nas dicas abaixo.

Vamos começar entendendo o que não é empatia

  • Não é distrair puxando outro assunto.
  • Não é psicologizar. Ou seja, ficar tentando interpretar com termos, buscando origens ou causas.
  • Não é necessariamente concordar.

Já aconteceu com você?

Você já conheceu, no ambiente de trabalho, uma pessoa “do contra”? Que adora discordar e nunca admite estar errada? É difícil sequer iniciar um conversa: “Oi, fulan@, tudo bem?” “Não sei se está tudo tão bem assim não, com esse tanto de problema para resolver… Eu falei que não ia dar certo desde o começo”.

Talvez você não concorde com a postura dessa pessoa e não é necessário concordar. Mas sentir empatia, até mesmo por quem mais nos incomoda, é conseguir desligar nosso instinto de sobrevivência, que aciona uma sirene toda vez que alguém é desagradável conosco, para tentar focar no outro ao invés de em nós mesmos.

 “O que será que está deixando essa pessoa tão amargurada?” O simples fato de parar, respirar e se fazer essa pergunta já é um grande exercício de empatia, capaz de mudar a forma como você vai reagir e, provavelmente, a forma como essa mesma pessoa vai te tratar futuramente.

Praticando empatia com pessoas difíceis

Ser empático com os desconhecidos ou pessoas mais difíceis é um grande esforço que demanda sensibilidade, inteligência emocional e persistência. Mas a boa notícia é que essa habilidade pode ser desenvolvida por meio de simples exercícios diários.

“Ao sentir empatia, é possível manter uma postura ponderada para trabalhar com pessoas difíceis”. Rich Fernandez, CEO do instituto de liderança Search Inside Yourself Leadership Institute. 

Conexões genuínas e liderança

Autocracia, tecnicismo e hierarquização provavelmente não são as características de um líder influente. Pode até conseguir resultados, mas tende a não construir uma equipe satisfeita e engajada.

Os grandes líderes têm algo em comum: sabem reconhecer suas próprias fraquezas e, por isso, são mais compreensivos com aqueles ao seu redor.

Para tornar-se um líder empático, é necessário começar com um esforço consciente para se colocar no lugar de quem está em volta. Rasgue rótulos, deixe os achismos de lado e busque a individualidade e humanidade do outro. Criando uma conexão genuína, expandimos nossa capacidade de compreensão e até mesmo melhoramos a resolução de problemas.

Veja um exemplo:

Marcelo trabalha há oito anos na mesma empresa e, por conta de sua experiência, é promovido. Agora, ele tem o dever de orientar um novo colaborador, João. Acostumado a realizar seu antigo trabalho com agilidade e rapidez, Marcelo se irrita com as perguntas e interrupções constantes de João, tirando dúvidas sobre coisas que parecem óbvias.

Mas, por um momento, Marcelo se lembra de que, anos atrás, chegou na empresa sem saber nada e aprendeu tudo graças à boa vontade de outro colega. Essa percepção renova sua paciência e faz com que ele passe a dar mais atenção para ensinar o jovem e repetir uma atitude que lhe fez bem no passado.

Busque similaridades

Mesmo quando o “outro” parece muito diferente de nós, por seus valores ou sua postura, há sempre um fator que nos une. Considerando o ambiente organizacional, na menor das hipóteses, o denominador comum é o fato de ambos estarem na mesma empresa e, portanto, buscarem o mesmo objetivo final.

Nesse sentido, é pertinente promover momentos em grupo, demonstrando que todos os colaboradores caminham na mesma direção, mesmo sendo de áreas diferentes.

Divulgar os principais números da empresa, revelando como o trabalho individual contribui para o resultado final, é uma ação que ajuda as pessoas a se enxergarem como parte do mesmo time, criando maior conexão.

Deixando o julgamento

Muitas vezes julgamos o mundo de acordo com nossa perspectiva. E sem flexibilizar a  visão, a gente não gera empatia. Para praticar a empatia interna, precisamos desligar o julgamento e exercer a curiosidade genuína, ver similaridades para então entender o que acontece com o outro.

Como exercício, ao final de um dia, deixe vir à tona os assuntos e situações que aconteceram, inclusive as conflituosas. Reflita se há uma emoção perturbadora e faça uma limpeza consciente. Mentalize as pessoas que cruzaram seu caminho, deseje que estejam bem, livres e tranquilas.

Trocando o círculo vicioso pelo círculo virtuoso

Perceba a leveza trazida por esse momento de reflexão. A mentalização consciente ajudará a deixar para trás níveis de estresse, aumentando sua qualidade de vida e melhorando, inclusive, o sono. Além de tudo, ajudará a quebrar aquele círculo vicioso marcado por penalizar alguém por um sofrimento e descontar em outras pessoas ou em si próprio.

Torne-se dono de uma mente diferenciada, aberta a conexões e que cria um círculo virtuoso.

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Adaptabilidade Autoconhecimento Liderança

O que seus colegas de trabalho precisam agora é de compaixão

Não sei você, mas tenho julgado os outros muito mais nos últimos dias. No final da semana passada, uma colega de trabalho me disse no Slack que ficaria offline por um tempo enquanto cumprimentava sua babá, que chegaria a qualquer momento. Meu pensamento imediato foi: “Isso não é um distanciamento social”. Por uma fração de segundo, fiquei brava com ela. Como ela podia deixar outra pessoa entrar em sua casa a essa hora? Por que ela não está fazendo sua parte para achatar a curva? Meus sentimentos logo se transformaram em culpa e depois em tristeza. Eu não queria ficar irritada com minha colega de trabalho. Então, por que eu estava?

Já ouvi de muitos amigos, histórias semelhantes. Faz sentido: muitos de nós estão trabalhando em condições novas e abaixo do ideal. Estamos lidando com níveis sem precedentes de estresse e ansiedade. E o futuro de nossos empregos, empresas e economia é incerto.

Tudo isso cria as condições para a tensão, diz Brianna Caza, professora associada de administração da Bryan School of Business and Economics da Universidade da Carolina do Norte em Greensboro. Ela e seus co-autores revisaram 300 estudos com foco em relacionamentos no local de trabalho, transgressões de relacionamento e reparo de relacionamento. Eles descobriram que “sempre que há uma tensão externa, pode se manifestar entre colegas de trabalho”.

Infelizmente, em situações estressantes, nossa compaixão se esvai, de acordo com Monica Worline, cientista do Stanford Center for Compassion and Altruism Research and Education. “Quando estamos sob estresse severo, voltamos aos padrões de enfrentamento que são familiares e muito endurecidos em nós, e temos dificuldade em perceber que há outra maneira de fazer o que estamos fazendo. Achamos que estamos certos e os outros estão errados “, explica ela. Isso não é bom para suas interações com seus colegas. “Inconscientemente, quebramos nossos relacionamentos com colegas de trabalho, causando mais sofrimento.”

Este não é o momento de nos afastarmos da bondade e do carinho, mesmo que nossos cérebros nos levem nessa direção. “É importante tentar encontrar maneiras de permanecer aberto à compaixão, mesmo quando estamos sobrecarregados”. Worline e Jane Dutton, que co-escreveram Awakening Compassion at Work, fizeram uma pesquisa que mostra que a compaixão se correlaciona com seu próprio nível de satisfação no trabalho e com o grau em que você considera seu trabalho significativo. Mas como você encontra e demonstra empatia pelos colegas de trabalho quando seus recursos cognitivos estão esgotados?

Aqui está o que Caza e Worline me disseram.

Lembre-se de que esta é uma oportunidade de conexão.

Caza e seus co-autores descobriram em sua pesquisa que “havia muitos gatilhos e caminhos para fraturas nos relacionamentos”, mas também havia “o potencial para relacionamentos mais fortes nesses tempos estressantes. Sempre que as coisas ficam abaladas, há um potencial para uma mudança positiva “, explica ela. E como essa crise é global, quase todo mundo é afetado de alguma forma. Vi isso acontecer nas últimas semanas. Colegas de trabalho – com quem não interajo com muita frequência – entraram em contato para ver como estou me saindo e, por sua vez, fizemos o mesmo por outros. Essa sensação de que estamos nisso juntos pode ser uma união, mesmo quando – ou porque – estamos sob extrema pressão.

Aceite que todos estamos lidando de maneira diferente.

Outro colega de trabalho compartilhou um artigo sobre a pressão sobre os casamentos durante a crise, que esclareceu porque as coisas podem parecer tensas em algumas de nossas relações de trabalho. Nele, a especialista em relacionamento, Esther Perel, apontou que as pessoas costumam ter diferentes mecanismos de enfrentamento. Algumas pessoas gostam de receber o máximo de informações possível, passando horas no Twitter ou lendo artigo após artigo. Outros gostam de limitar a quantidade de notícias que recebem. Alguns podem ser rígidos quanto ao distanciamento social (sou eu), enquanto outros podem adotar uma abordagem mais flexível. E alguns colegas podem se dedicar ao trabalho, encontrando conforto em estar ocupados, enquanto outros lutam para manter-se e manter o foco.

Há também uma diferença em como as pessoas otimistas ou pessimistas se sentem. Vejo isso acontecer diariamente em reuniões virtuais, quando alguém pergunta às pessoas como elas estão e uma pessoa diz “Ótimo!” e outro murmura “Meh”. Todas essas são respostas válidas e não precisamos ter as mesmas maneiras de lidar.

Caza diz que a diferença não está apenas nas abordagens de enfrentamento, mas nas circunstâncias também. Os colegas não estão sendo afetados pela crise da mesma maneira. Alguns estão trabalhando em casa com crianças pequenas e agora têm a tarefa de educar em casa. Outros têm pais ou outros parentes mais velhos com os quais estão preocupados. Para alguns, o trabalho ficou mais intenso, enquanto a carga de trabalho de outros diminuiu. Vários de meus colegas trabalharam regularmente em casa ao longo dos anos e estão bem organizados. Outros não têm lugares calmos em casa para receber chamadas, outros não se importam em participar de uma vídeo-chamada.

Seja generoso em suas interpretações.

Dada a provável variação entre você e seus colegas de trabalho, Worline e Caza dizem que uma das coisas mais importantes que você pode fazer agora é ser generoso em suas interpretações de outras pessoas. Se você receber um e-mail curto, não assuma que a pessoa está irritada ou sendo rude. Em vez disso, imagine que eles estão sob pressão e não tiveram tempo para suas gentilezas habituais.

Isso é difícil de fazer, explica Worline. “Quando estamos em crise, mudamos a maneira como interpretamos as coisas ao nosso redor. Nossa própria dor e sofrimento tendem a aumentar, e diminuímos o fato de as pessoas estarem passando pela mesma tensão ou mais. Ficamos mais impressionados com as necessidades e o sofrimento de outras pessoas e podemos reagir pensando: “Não há nada que eu possa fazer sobre isso” ou “Esse é o problema deles e não o meu”. “

Quando surgirem tensões, tente pensar por que você e seus colegas podem não estar se comunicando bem. Não fique preso ao pensamento certo-errado. Worline sugere que você se diga: “Sou capaz e estou cercado por pessoas que também são capazes” e pergunte: “Onde estão os gargalos e como estamos nos comunicando?” Ao focar na dinâmica e nas circunstâncias, e não na pessoa, é provável que você chegue ao problema subjacente sem colocar a culpa.

Reconheça como você está se sentindo.

Você pode evitar falhas de comunicação e ferir sentimentos, deixando claro o que está enfrentando no momento. Por exemplo, o Caza sugere que você explique aos seus colegas de trabalho que pode precisar de algum espaço, especialmente se as coisas estiverem se movendo rapidamente. Você pode dizer: “Há muita ansiedade e estresse no momento, então deixe-me dedicar algum tempo para pensar sobre isso”. E comunique mais do que você poderia em circunstâncias normais, sendo mais consciente sobre o que diz e o tom que transmite. No outro dia, recebi uma nota de uma colega do Slack que dizia: “Estive relendo as mensagens e acabei de perceber que foram muito contundentes – não era para ser assim. Estamos todos fazendo muito!” Eu tinha notado que a mensagem dela era concisa, mas felizmente não a levei para o lado pessoal. Se você sentir algo prejudicial entre você e um colega, não deixe que isso apodreça. É melhor resolver o problema mais cedo ou mais tarde, diz Caza.

E não se surpreenda se disser algo de que se arrepende ou machucar um colega. “Quanto mais você tiver compaixão por si mesmo e por suas falhas em ser a pessoa que deseja ser, mais poderá diminuir seu estresse”, diz Worline.

Aceite que a vida doméstica de seus colegas de trabalho agora seja relevante para você.

Como tendemos a nos distanciar do sofrimento alheio quando estamos estressados, você pode pensar que não é problema seu que seu colega de trabalho tenha dois filhos, por exemplo. “A situação deles como pais não era necessariamente relevante para o seu trabalho”, diz Worline. Mas com certeza é agora. “Reconheça que a relevância mudou devido à situação em que estamos.” Aqui, ela sugere outra mudança de pensamento: “As pessoas são essencialmente boas e estão tentando fazer o melhor possível”. Em vez de se aborrecer quando seu colega de trabalho for continuamente interrompido pelo filho, pense em como você pode ajustar os padrões de como trabalham juntos. Como você pode ser mais flexível para que todos possam continuar realizando seu trabalho?

Não compare sofrimento.

Um dos comentários recorrentes que eu vi nas mídias sociais quando as pessoas reclamam do que estão passando é algo como: “Pelo menos você não está trabalhando na área da saúde no momento”. Worline diz que esse tipo de comparação pode estar “brutalmente diminutiva”. “As pessoas pensam erroneamente que estão dando uma perspectiva muito necessária. Mas isso não alivia a angústia, apenas adiciona um nível de julgamento e culpa e agrava a dor. ” Worline ressalta que existem inúmeras formas de dificuldades e que “compaixão não envolve julgar a relevância do sofrimento alheio”.

À luz deste conselho, aqui estão algumas coisas que estou tentando me lembrar todos os dias para conscientemente e deliberadamente me inclinar para a empatia e bondade.

Meus colegas de trabalho e eu não vemos o mundo exatamente da mesma maneira e tudo bem.

Temos diferentes maneiras de lidar com a incerteza, a tristeza e o estresse.

Eles estão sob pressões que eu nem sempre vejo e não consigo entender completamente (e provavelmente não são da minha conta).

Não é útil para mim ou para eles comparar nossos desafios.

Estamos todos fazendo o melhor que podemos.

Nem sempre é fácil ser paciente e compreensivo, especialmente com tudo o que está acontecendo. Mas vou continuar tentando, porque é o que meus colegas e eu merecemos.

Mas como você encontra e demonstra compaixão pelos colegas de trabalho quando seus recursos cognitivos estão esgotados? 🤔

👉🏼 Se você quer aprender como colocar na prática essas qualidades que se tornaram essenciais no novo cenário, participe do nosso Curso On-line Liderança Compassiva 😉

Texto de Amy Gallo, traduzido pela maisPS. Acesse o original: https://hbr.org/2020/03/what-your-coworkers-need-right-now-is-compassion